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Dicas de Saúde

Hepatites: o que são, como se prevenir e cuidar da sua saúde

25/06/2026

Quando ouvimos falar em hepatite, muita gente pensa apenas nas hepatites virais, como as dos tipos A, B e C. Mas o fígado pode inflamar por diversos motivos, nem sempre relacionados a vírus. Entender esse conjunto de situações é importante para cuidar melhor da saúde e prevenir complicações.

Vamos explicar de forma simples o que é hepatite, quais são as principais causas (virais e não virais), sintomas, formas de prevenção e cuidados diários que ajudam a proteger o fígado.

O que é hepatite?

Hepatite é o nome dado a qualquer inflamação do fígado, independente da causa. Essa inflamação pode ser:

  • Viral: causada por vírus específicos, como os das hepatites A, B, C, D e E.
  • Não viral: provocada por álcool, medicamentos, substâncias tóxicas, doenças autoimunes, acúmulo de gordura no fígado, entre outros fatores.

O fígado participa da digestão de gorduras, do metabolismo de nutrientes, do armazenamento de vitaminas e da desintoxicação do organismo. Quando ele inflama, essas funções podem ficar prejudicadas. Em alguns casos, a inflamação é aguda e o órgão se recupera. Em outros, torna-se crônica e pode levar à cirrose e até ao câncer de fígado.

Hepatites não virais

As hepatites não virais são aquelas em que o fígado inflama por causas que não envolvem vírus. Entre as principais destacam-se:

  • Hepatite alcoólica.
  • Hepatite medicamentosa ou tóxica.
  • Hepatite gordurosa (esteatohepatite).
  • Hepatite autoimune.

Hepatite relacionada ao álcool e a substâncias tóxicas

O consumo excessivo e frequente de bebidas alcoólicas pode causar inflamação do fígado e, com o tempo, levar à cirrose. O mesmo vale para algumas substâncias tóxicas e determinados medicamentos, especialmente quando usados sem orientação médica ou em doses acima do indicado.

Nesses casos, o fígado precisa trabalhar mais para metabolizar e eliminar essas substâncias, o que favorece o aparecimento de lesões.

Hepatite gordurosa (esteatose e esteatohepatite)

O acúmulo de gordura no fígado, bastante comum hoje em dia, está relacionado a fatores como:

  • Excesso de peso e obesidade.
  • Alimentação rica em ultraprocessados e gorduras.
  • Sedentarismo.
  • Diabetes e alterações de colesterol.

Em muitas pessoas, essa gordura causa uma inflamação conhecida como esteatohepatite. Mesmo sem vírus envolvidos, o fígado inflama e pode evoluir para cirrose se não houver mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico.

Hepatite autoimune

Na hepatite autoimune, o próprio sistema imunológico passa a atacar o fígado, causando inflamação crônica. A causa exata ainda não é totalmente conhecida, e o diagnóstico é feito por médico especialista, com exames específicos.

O importante é saber que existem formas de tratamento e acompanhamento que ajudam a controlar a doença e proteger o fígado.

Hepatites virais

As hepatites virais são causadas por vírus que têm o fígado como principal alvo. Os mais conhecidos são os vírus A, B, C, D e E. No dia a dia, falamos mais de A, B e C, por serem mais frequentes.

Hepatite A

Está ligada principalmente às condições de higiene e saneamento

A transmissão acontece, em geral, por:

• Consumo de água contaminada.
• Alimentos preparados ou lavados com água contaminada.
• Contato com fezes de pessoas infectadas.

Costuma ser uma infecção aguda, que não evolui para a forma crônica. A boa notícia é que existe vacina contra a hepatite A, disponível no calendário de vacinação.

Hepatite B

É transmitida por contato com sangue e outros fluidos corporais, como em:

• Relações sexuais desprotegidas.
• Compartilhamento de agulhas, seringas ou materiais perfurocortantes.
• Uso de materiais não esterilizados em procedimentos (tatuagens, piercings, manicure e pedicure).
• Transmissão de mãe para filho durante a gestação ou o parto.

A hepatite B pode ser aguda ou crônica. Para a prevenção, a vacina contra a hepatite B é fundamental e faz parte do calendário de vacinação, inclusive na vida adulta.

Hepatite C

É transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado. Entre as situações de risco estão:

• Compartilhamento de agulhas, seringas e materiais perfurocortantes.
• Transfusões de sangue realizadas no passado, antes de testes específicos.
• Procedimentos invasivos com material não esterilizado.

As transmissões sexuais e as de mãe para filho também podem ocorrer, embora sejam menos comum. Muitas pessoas com hepatite C não apresentam sintomas por anos, e o diagnóstico é feito em exames de rotina. Hoje há tratamentos com alta taxa de cura.

Outros tipos de hepatite viral (D e E)

A hepatite D ocorre apenas em pessoas que já têm a hepatite B, pois o vírus D precisa do vírus B para se multiplicar. Já a hepatite E é mais comum em regiões com problemas de saneamento básico e pode ser transmitida de forma parecida com a hepatite A, principalmente por água e alimentos contaminados.

Sintomas: o que pode indicar hepatite?

Independentemente da causa (viral ou não viral), os sintomas da hepatite muitas vezes são parecidos e, em vários casos, discretos. Entre eles:

  • Cansaço excessivo.
  • Mal-estar geral.
  • Enjoos e vômitos.
  • Perda de apetite;
  • Dor abdominal, principalmente do lado direito.
  • Urina escura.
  • Fezes claras.
  • Olhos e pele amarelados (icterícia).

Nem todas as pessoas apresentam todos esses sinais, e a intensidade varia. Por isso, a hepatite pode passar despercebida por muito tempo, especialmente nas formas crônicas. Isso destaca a importância de exames periódicos e de atenção aos sinais do corpo, mesmo em quem se sente bem.

Prevenção das hepatites

Embora as causas sejam variadas, muitas formas de hepatite podem ser prevenidas com cuidados relativamente simples, que envolvem tanto as hepatites virais quanto as não virais.

Prevenção das hepatites virais:

• Vacinação contra as hepatites A e B.
• Usar preservativos em todas as relações sexuais.
• Não compartilhar agulhas, seringas, lâminas, alicates ou qualquer material perfurocortante.
• Escolher locais confiáveis para tatuagens, piercings e procedimentos estéticos, que usem materiais descartáveis ou esterilizados.
• Preferir água tratada e higienizar bem os alimentos crus, o que ajuda a prevenir hepatites transmitidas por via oral, como a A e, em algumas áreas, a E.

Prevenção das hepatites não virais:

• Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
• Não usar medicamentos, suplementos ou chás por conta própria, sem orientação médica.
• Manter uma alimentação equilibrada, com mais alimentos naturais e menos ultraprocessados.
• Cuidar do peso e praticar atividade física regularmente, ajudando a prevenir o acúmulo de gordura no fígado.
• Além disso, realizar exames de rotina e conversar com o médico sobre histórico familiar, uso de medicamentos e possíveis exposições a riscos ajuda a identificar precocemente qualquer alteração.

Cuidado diário, saúde e qualidade de vida

Falar sobre as hepatites, sejam as virais ou as não virais, é falar sobre cuidado com o fígado e com a saúde como um todo. Muitas dessas condições podem ser prevenidas, controladas e tratadas, especialmente quando há informação, acompanhamento médico e atenção ao dia a dia.

Manter as vacinas em dia, adotar hábitos de higiene, usar preservativos, evitar o uso excessivo de álcool, ter cautela com medicamentos e buscar um estilo de vida mais equilibrado são atitudes que cabem na rotina real e fazem a diferença no longo prazo. Somadas a exames periódicos e ao acompanhamento regular com profissionais de saúde, elas ajudam a proteger o fígado e a garantir mais qualidade de vida.

Se você tiver dúvidas sobre vacinação, exames ou perceber algum sintoma diferente, converse com o seu médico e aproveite as orientações dos serviços de saúde da sua região.

Que tal, a partir desse conteúdo, pensar em um próximo check-up ou revisar sua carteira de vacinação?

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